O fisioterapeuta
Era setembro, mas, poderia ser agosto ou julho, o mês nem importa nessa soma de fatores.
Entre os flertes com pessoas aleatórias, nomes que omitir parece a melhor alternativa a minha coluna ia sempre nessa fase de dores e pequenos choques, claro que é culpa da procrastinação em alongamentos e exercícios, é culpa sempre dessa preguiça de viver em doses homeopáticas, os rins doem e a ansiedade se faz presente no decorrer de todos os dias, estou enrolando e tenho que admitir que não parece a melhor opção escrever sobre essa aventura da loucura.
O "Outra Alucinação" ainda parece o local ideal, é uma crônica e vou evitar boa parte dos detalhes por mera questão de praxe da minha loucura ter seus limites, às vezes, nem sempre. É claro que já tive processos de escrever sem me importar com as conveniências da boa conduta literária.
Nesse caso vou preservar o fisioterapeuta, o mais estranho num rapaz que faz massagem é ser fumante por tanto tempo, gosto das conversas aleatórias, preciso dizer, a comicidade ajuda bastante nos processos de hipomania e na carência dos dias, não é sobre os clichês de buscar diversão em bate papo UOL como era antigamente, também não posso falar de como sempre recaí na mulher o rótulo de ser promiscua e isso degenera cada vez mais a autoestima de mulheres que já possuem isso em baixa, a intimidade feminina sempre precisa ser um segredo.
Enrolei o suficiente? Tenho a leve sensação que o leitor quer informações mais detalhadas e quer saber se peguei ou não o fisioterapeuta, até eu fiquei querendo saber se era um flerte, se era um convite, se era uma aventura dessas de uns instantes, e certamente existiu uma resposta do desejo, sexo é sobre desejo e sobre liberar algo que queremos esconder.
O sexo no contexto feminino sempre é sobre restrição, vergonha, medo e insegurança, não falar e não ter opinião, não mostrar onde excita e onde não se deve tocar, o fisioterapeuta é safado, extremamente safado, o que mais pode ser dito dele é que é muito safado, não é para rir, mas, o ato de ser safado num homem é comum, veja só, homens podem ser visivelmente safados e vão ser apreciados e até idolatrados nas rodas de homens héteros, ser safado não é nada além de um elogio para alguém do gênero masculino.
Já uma mulher safada num quarto pequeno e escuro é bom, uma mulher safada na boca do povo é um escândalo grotesco, ser safada gera todos os tipos de problemas para mulheres, estamos num novo século e ser mulher continua sendo um ato de sobrevivência diária. Não sou uma mulher safada, mas, não tenho interesse em falar ou julgar quem seja, cada um tem sua liberdade, para a mulher existem correntes tão grossas.
Vamos aos fatos: peguei o fisioterapeuta, o sexo foi incrível, e sempre que o sexo é incrível fica difícil pensar nos prós e contras, todavia, pegar alguém de forma aleatória após o expediente não é errado, se fosse para responder de forma sincera eu gostaria de pegar o rapaz mais vezes, todavia, penso na idade, na loucura, na carência sexual e no fato que tenho várias travas nesse contexto de ficar só por ficar.
O sexo casual parece vazio após as experiências desses anos, qual a mudança que gera qualquer coisa para além do simples ato de gozar?
Beijar o fisioterapeuta foi melhor do que os muitos beijos durante esse espaço de tempo que já beijei uma certa quantidade de pessoas, o final é sobre o beijo, sobre o desejo e sobre limites.
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*Outra Alucinação é o blog de crônicas e contos de Genniffer Moreira, para ler mais textos da autora acesse o link:
https://alucinantes-lacinantes.blogspot.com/?m=1
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