A Boneca e o Espírito

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A Sombra surge no espelho do móvel mais antigo da casa, a Senhora de cabelos grisalhos e aspecto austero. 

Exala silêncio e sabedoria. Ela gosta de manter essa figura e exige também que se mantenha silêncio diante de sua Presença. Essa presença é a sentença ou a dádiva de querer conhecer o outro lado.

Exige e exige em tantos pequenos gestos de sutileza, a face da velhice gosta de exigir doses de delicadeza e talvez uma xícara de café preto com pouco açúcar. Sem guloseimas, somente um belo café puro.

Aquela Voz que surge de lugar-nenhum e ao mesmo tempo está em todos os cômodos dessa casa, é uma assombração ou a Realidade se convidando para entrar?

Eu gosto de observar. 

Sinceramente, ao longo de tantos anos eu na verdade não quero tanto ver fogos de artifício ou luzes mirabolantes, nem mesmo as tais cadeiras girando, mesas dançando, tudo isso é balela, eu prefiro as conversas e o som da caneta no papel.

Gosto de ficar olhando para um ponto fixo apenas para aguçar os ouvidos, costumo mirar a parede nessas ocasiões, mas, por "coincidência" passei em frente ao espelho, era já início de uma noite de quinta-feira, não havia planejado nada em particular. 

No cotidiano você não vive em busca das manifestações, quem vive por um sinal acaba enlouquecendo mais rápido do que deveria, prudência é uma palavra bonita e necessária em muitas camadas da vida. 

— Seja prudente e poupe sanidade e tempo de vida, seja prudente e respire com calma, afinal, a vida não é um sopro?

— Sim, gosto de pensar que a vida é só um sopro, mas... Os ciclos são longos. Longos demais!

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