A Cidade Fragmentada
Essa questão dos fragmentos parece um exagero, todavia, muito sentido emprega na Realidade local, são 268 anos completos de existência de Macapá, eu faço 38 nesse ano de 2026, viver tantos anos é cansativo, mesmo sabendo que atualmente os 30+ é uma classificação relativamente jovem, a faixa de idade se elevou bastante, pessoas passando dos 100 anos. Nesse quesito essa cidade é uma criança, todavia, que infância difícil.
Nas notas do subsolo, Macapá passa nas mãos de políticos que fazem o mínimo e querem exibir um filme fantástico dessa loucura, o subsolo sempre lembra, mesmo que os eleitores sejam extremamente esquecidos. A vantagem de lembrar é sim um privilégio dos marginalizados, aqueles que sonham com um futuro repleto de louros, mas, continuam vivendo a miséria desse rincão brasileiro, e nem falo só da fome e da pobreza, falo das migalhas de educação, das escolas que não recebem um investimento justo enquanto políticos ganham dinheiro só por respirar, em parte a culpa não é só da camada política, muita culpa é da ingenuidade e ignorância coletiva.
Todavia, o processo se inicia nos poderes, no modo como a sociedade foi criada, na elite privilegiada e na corrupção que se torna implícita e cultural, faz parte das raízes do mecanismo de funcionamento dos animais políticos a propaganda, os debates e as difamações, ano eleitoral, alguém vai oferecer um valor pelo teu voto e você vai pensar qual o preço que ele pode valer, é também cultura local. Ninguém é louco de expor, mas, no subsolo todos sabem essa realidade contratual, é uma bolha sem ar no meio, só essas correntes que a cada ano vão se renovando, pode mudar o rosto mas não muda o exposto.
Eu consigo rimar pressuposto com desgosto, é uma neuro-divergência, afinal, ou na real, é uma certeza residual?
É meio difícil negar, não quero ser a pessoa que fica escrevendo que odeia a política brasileira, mas, sinceramente, a filosofia escancara essa sentença, o conceito deveria ser louvável, na prática é só sujeira e manipulação. Talvez mude no futuro, até lá, continua tudo sempre igual. Lembro das músicas chiclete, deveria ser proibido dar dinheiro público pra político se eleger, outras pessoas precisam estudar e fazer concursos públicos, só políticos podem ganhar mesmo se for um mito-maníaco de beira de igreja, li que existem mais igrejas do que escolas no Brasil, que absurdo, a escola não é perfeita, mas, a maioria das igrejas se multiplicam como redes de fast food da fé, exigindo dízimos milionários.
Esse era um texto sobre o aniversário da cidade onde nasci, tirando todos os entulhos, eu te amo Macapá, não pelas quadrilhas politicas ou pela quantidade de igrejas tipo cassino e cassa níquel, mas, por tua geografia, pelo teu esforço em seguir, pela certeza que essa Terra é importante, pela preservação, pela tentativa de reeducar e manter teus saberes ancestrais, é um privilégio nascer em Macapá.
Cresça cada dia mais forte e com um povo consciente e ético, para que chegue o dia que a vida realmente possa ser leve na cidade maravilhosa do extremo Norte do Brasil. Nós vamos resistir por longos anos e esses que atrapalham o nosso caminho hão de sofrer a medida exata de justiça.
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