Notas do Subsolo
Entre os papéis mágicos e a poeira nos cantinhos da cozinha, ali no centro da mesa de madeira, na parte abaixo, grudado com chiclete velho de cor rosa clarinho, avisto um pedaço queimado de tecido bege, possivelmente algodão cru, escrito no tecido uma única frase:
"O subsolo lembra de cada pequena intenção perniciosa".
Ninguém ousa argumentar, é um sigilo sussurrado pelas esquinas nas noites de lua minguante, precisa conter alguma dosagem de segredo e sátira. Se não nem poderia ser chamado de nota do subsolo, para coisas cotidianas você nomeia lembranças com nomes leves, apenas aquele fragmento de lembrança difícil de falar possui nome e significado esdrúxulo.
O subsolo possui sua ênfase característica, se está longe dos olhos, enterrado, se esta abaixo da terra, escondido, difícil de ver e geralmente com os sentidos ocultos, não pode ser simples. Essa realidade nunca deve ressoar pelo mundo, o que está enterrado deve permanecer enterrado, procurar ossos dentro do Subsolo tem desvantagens e vantagens.
O risco é enorme!
Aquele tecido estava impregnado de um odor que exalava ao mofo e perfume amadeirado, notas frutadas e um leve toque de rum. A bebida se sobrepondo aos cheiros e elevando o gosto na boca ao nível salivar. Ossos e bebida, notas e notas escondidas debaixo de narizes.
Será que são os nossos narizes?
O subsolo guarda cada particula minima de informação e gera boatos que podem ou não se distorcer entre as bocas ácidas de humanos tolos, dizem por entre as lacunas que ninguém saí ileso da propagação dessas notas, o controle da voz e a máscara cobrindo o rosto são medidas paliativas, manter o silêncio é fundamento primordial.
Qual o surgimento da primeira fofoca?
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