Cultura & Valorização

 Rascunhei no papel branco essas letras tortas.

Eu sei que escrevo para manter a lucidez, nunca tive uma escrita perfeita, posso descrever como um garrancho sem direção, palavras que sobem, palavras que descem, nunca uma frase em linha reta. Tentei melhorar, comprei cadernos de caligrafia na infância, apanhei, literalmente, para desenhar letras legíveis e redondas, o meu pensamento é transgressor por Natureza, se pego o impulso escrevo folhas poeticamente torpes. Confesso que não me orgulhava dessa escrita, eu me lamentava e inferiorizava essa minha falta de sorte.

Gosto do ato de ser um belo fracasso, mas, é doloroso aceitar que não tenho talento para escrever romance, parece empolgante delimitar esse pequeno enredo de que um dia a inspiração vai surgir naquele vislumbre, é terrível ser um gênio na infância e uma cicatriz na vida adulta, é terrível criar diversos cenários e temporadas na imaginação e quando você senta e pega a caneta "sumiu tudo, num passe de mágica, nada". É perturbador não sair do primeiro capítulo.

Existe a cultura do fracasso e existe a cultura da ilusão. Infelizmente, existe.

Era sobre a valorização & cultura, tentei puxar um fio de genialidade, queria manter as cordas firmes e atravessar aquela ponte que tem anos de história. A cultura é viva. Eu sei, talvez você não consiga ver o contexto, a cultura vive nas pessoas e nas coisas, ela move aquele movimento que gera ARTE, ou a própria cultura é por si a Arte exposta no tempo, no hoje, no ontem, no ato de resistir. Eu quero tecer uma mensagem sublimar e também quero ver os fios naquele tricô circular.

Eu só quero enxergar o meu lugar nesse espaço que insiste em me apagar.

Comentários

  1. Infelizmente tem mais pessoas para nós diminuir que para aplaudir . Pra mim o auge da maturidade é ignorar os dois tipos e enaltecer a si mesmo . Todos somos um sucesso ,os fracassados morreram na tal corrida pelo ovulo !

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