LAIOLA
Aquela mulher andava sozinha e a noite em sua plenitude escurecia ainda mais o caminho, apenas um pequeno vislumbre da Lua minguante se via.
Ela caminhava em direção a igreja, vestia-se com um leve vestido de cetim branco, seus cabelos ondulados de um louro cinzento no brilho lunar pareciam de um dourado como aqueles halos em pinturas religiosas.
A pequena mulher chega na frente da igreja e observa a possibilidade de alguém ali para lhe trazer segurança. Entra e busca o púlpito onde várias velas acessas trazem uma maior visão de sua realidade.
Algo no outro lado, uma sombra que espreita, sons de passos leves e o farfalhar de tecidos. Aquela sombra se aproxima com uma rapidez e sem conseguir fugir, corpo paralisado pelo medo, Laiola tenta enxergar sem saber para onde deve olhar.
Ela sente o sangue escorrendo, aquelas mãos enormes e afiadas apertando sua garganta, a dor terrível, seus membros adormecidos. A criatura sugando toda sua vitalidade, sangue manchando o belo vestido e os cabelos reluzentes, a dor crescente.
Ele sacia sua sede até a última gota, rasga sua garganta e a joga para um banco do outro lado, sem olhar para trás aquele ser asqueroso some na escuridão.
Laiola inerte, a certeza da morte.
Passam-se horas e horas, o corpo tremendo, algo inumano, impossível, ela consegue mexer seus braços, leva as mãos ao pescoço e nota que não há corte, levanta devagar e observa as chamas.
Ela está viva.
Ela está viva e quer algo sem nome.
Talvez vingança, talvez uma taça do sangue daquele maldito monstro.
A vida mostra novas cores, um desejo feroz, a sua revolta e a sede.
Laiola quer encontrar a criatura sem rosto, suas mãos se tornam garras afiadas, ela quer desmembrar seus ossos e vê-lo agonizar.
A raiva é como uma extensão de sua realidade, ela se sente viva.
Correndo pela estrada, sentindo o vento no rosto, o cheiro intenso da noite. Tudo parece completamente novo, e ela renasceu como uma assassina fria, ela continua correndo e buscando o cheiro daquele Vampiro imundo.
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