O Espelho Quebrado
(Sobre a realidade que não segue linha reta)
A guerra não vem com os tambores — vem em píxeis, em notificações que apagam o que resta do que era registrado entre os civis.
O futuro não é uma porta: é um espelho quebrado em bilhões de faces, e em cada face, um ego que se proclamou deus e esqueceu de ser mortal.
Dizem que o tempo é rio. Mentira. Engodo. O tempo é a vertigem da realidade.
O tempo é espiral de fumaça em quarto escuro — o ontem que toca o amanhã, e o tiro que não demos ainda, mas, já ecoou no muro daquela Berlim.
Alucino, logo existo? Não.
Alucino, logo persisto no erro de achar que a verdade é ponto final, quando a vírgula é solta no livro do terror. Não é apenas um filme, todos os dias novas atrocidades nos jornais.
A Terceira Guerra não será mundial.
Ela será local em todo lugar ao mesmo tempo: Síria em silêncio atômico, Ucrânia em branco nuclear, Gaza no olho que fecha para dormir e não abre nunca mais.
E o futuro? O futuro é o nosso passado com melhor resolução de tela — a mesma fome, o mesmo medo, o mesmo "nós" que nunca existiu, só egos que se devoram como os versos que rimam consigo mesmos até a rima virar loucura, e a loucura: silêncio.
(Esse é o Fim — ou o começo, que no espelho quebrado é basicamente a mesma coisa).
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