Produto CULTURAL
entre o intervalo dos cafés, entre questões e epifanias, entre o choque e a realidade linear ilusória, uma bomba explode, acidentes, mortes, jornais que sempre jogam palavras numa televisão desbotando a nossa lucidez.
sem as maiúsculas, a vida segue um rumo abstrato.
elaborei um contrato com as vozes, escrevo os roteiros de sombras e fantasmas numa cidade isolada, é inesquecível o cheiro das rosas, uma contadora de histórias me disse que se você sentir cheiro de velas, vai receber uma notícia, se você sentir cheiro de rosas será abençoado.
lembro de Helu e a certeza de cada fala, cada informação, cada conclusão.
quando tentei dizer o ponto e não houve sequer um momento de atenção, a invisibilidade é notória.
o vácuo. a lucidez do que não precisou ser dito e as outras certezas do fazer cultural. como ser um elo, como ser uma pequena formiga, como não ser gente, como ser produto daquele contexto desigual.
talvez seja um fato, talvez seja uma parcela da realidade, talvez seja uma mentira que frequentemente reverbera na sociedade, é novamente sobre desigualdade.
somos peixes, somos formigas, somos ovelhas, quando seremos seres humanos?
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