A Cultura dos Excluídos

 Em algum ponto nesse cenário de pequenas incertezas existe uma teoria que se sobressai e orbita no pensamento das figuras e dos artistas na simbologia do sublime emocionar. Arte e poesia, literatura e a imagem que ressoa no íntimo, o sucesso e o fracasso do fazer artístico e a ganância em possuir valor diante dos olhos na multidão de lobos, existe uma nota minúscula no contrato: o orgulho cega até o maior gênio no ápice de sua loucura.

Poderia ser uma simples prosa poética, deveria ser só um quadro numa galeria luxuosa, mas, as palavras surgem do Além dessa Realidade limitada e perturbam no alto das madrugadas, gritos e ecos nos ouvidos, aquele zumbir que gera agonia, dores nos olhos e na fronte, insônia cotidiana, e não menos importante é a ansiedade de escrever algumas páginas num livro que eternize a VOZ. Deveria ser chamado de loucura artística, você sabe que deveria gerar o conceito e fomentar uma projeção do processo de lapidar o carvão, encontrar o diamante entre as chamas é extremamente raro.

A Arte tem seus prediletos, isso é um fato concreto.

Na contramão dos Universos, exatamente, com o s em destaque, gerar e catalogar, não é o mesmo que evidenciar uma categoria do fracasso, ninguém vai elaborar uma filosofia sobre a decadência do pensar, talvez deveria, nem tudo é sobre a vitória salutar. Existe uma ilusão nessa ruminação das massas, primeiro é o vencedor que escreve a sua conquista, aos perdedores o esquecimento e nada mais do que pequenas palavras numa nota de desdém. Viver a exclusão é também um veículo de efusão da Arte, entre as angustias e dores das desconexões. Ninguém, absolutamente ninguém deseja esse destino que traga todas as possibilidades de realizar desejos.

Costumo imaginar o funcionamento da mente do filósofo do Assim Falou Zaratustra, existia uma genialidade e poesia em cada frase, existia e ainda existe nos livros de sua autoria, o legado da potência. O fracasso na vida cotidiana, um homem com a mente borbulhando e com o coração sangrando, é como observo a realidade dele, a morte como viés da sua busca incessante.

Existe um eco em cada final de livro, existe um desejo e uma simbologia que nem sempre é visível ao primeiro contato, existe uma ilusão de felicidade e completude, mas, a vida gera ciclos de caos e incerteza até mesmo nos indivíduos mais promissores.

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