Além da imagem II

 Sinto saudades de um fantasma.

Aqueles versos simples que não podem ressoar, é sobre a morte, inevitável, tragando tudo, deixando um vazio de um luto sem qualquer suavidade, a voz sumindo na memória que se apaga nesses dias tediosos.

O tédio se torna uma melodia que não cessa ao raia do sol, aqueles versos simples, uma enorme mancha no tecido do destino. Não existe fórmula mágica para enfrentar a realidade, não existe uma receita de bolo para amenizar a tristeza que a saudade causa no órgão chamado de coração. A dor é sempre letal, observando os pequenos sentires, a dor não tende a amenizar, isso é um engodo que contam para afagar nossas lágrimas.

Sentir saudades desse fantasma é inexplicável.

Além dessa imagem tão frágil, sempre aparece um eco que piora a sensação de melancolia. Era só uma saudade silenciosa e as palavras vão tecendo um quadro de emoções e gritos, era sobre a morte e um luto acidental, o sentimento visceral, a realidade inexorável do fim.

Tenho aquela fotografia guardada na minha retina, posso fechar os olhos e enxergar esse sorriso enigmático que causava riso, o demônio alemão era um palhaço requintado e quebrado, a amizade não morre porque o corpo deixou de guardar vitalidade, esse fantasma me visita nos sonhos e pede sempre a mesma coisa com os olhos teatrais.

Guardar silêncio e rememorar conversas é uma cilada da mente, não existe nenhuma pessoa que possa substituir a loucura do fantasma que sussurra ao meu ouvido que continua vivo do outro lado, parece um conto mas é apenas a rotina diária de quem escuta e vê espíritos.

Ao meu amigo fantasma, com carinho, dessa morta-viva que escreve.

Comentários

Postagens mais visitadas