O circo literal
É sobre a manipulação e as intrigas.
O circo literal não é o fazer do circo, não é a alegria e a magia do teatro bonito, é o que está depois das cortinas, as sombras feias e as distorções da realidade, não adianta falar só do que é bom e harmônico, eu lembro do palhaço comendo cérebros e aquele terror agonizante, o filme que trazia uma mensagem clara no psicológico, é sobre o outro lado dessa peça que acabou de começar.
Cultura é como a fome ou é diferente em alguma esfera milenar?
Alguém disse que eu tenho ar de líder, eu sou de leão, mas sempre fui um peixe fora d'água num mundo cruel e louco.
Se é para escrever que seja a realidade.
Eu odeio a desonestidade, sigo numa bolha de isolante e cola de isopor, ouvidos ardendo pelas vozes e gritos sem reciprocidade. A fantasia de uma geração inútil e amortecida pelas informações que pulsam em olhos cansados das luzes nessas telas da modernidade, ser uma inútil tem sim suas vantagens.
Sigo a rotina da normalidade e oro para o meteoro cair numa explosão impossível de mensurar, é a decadência de um pensamento que perpassa o pessimismo e o realismo hiperbólico. Vamos voltar ao literal? Queria estar no litoral dessa alucinação. É terrível fazer a travessia, é terrível observar aquela margem, é terrível tentar sobreviver num mundo que te adoece e ri da tua desgraça com maestria.
Talvez eu seja um baiacu querendo voltar para algum lugar tranquilo, porém os peixes morrem cedo e se for para ter uma vida tão curta, o veneno não é uma arma e sim a melhor defesa, não sou líder de nada, eu já quis era a total inexistência de líderes no mundo, eu odeio a política e a corrupção mascarada, odeio as imagens de uma cidade que segue pelo viés das oligarquias ancestrais, o coronelismo segue vivo, os capangas seguem açoitando os escravos, a resistência cresce numa sociedade carcomida por vermes de moscas e pela podridão do xurume dos ricos.
Não sei se a fome é amarela, não sei se a verdade é nua e crua, não sei de nada além do que a visão traça no olhar.
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