O subsolo dos segredos
Não vou citar Dostoiévski.
A verdade tem lâminas, acredito que toda mentira também guarda um sabor de veneno, retórica disforme, as pequenas e as grandes metáforas. Tudo que perpassa essas pontes de madeira apodrecendo.
Tudo que enaltece a soberba gera uma dose de alguma certeza deformada, não deveria rimar nessa situação, não deveria gerar qualquer emoção, não deveria reverberar essa informação. O tempo destrói também as melhores coisas em pessoas e objetos, o esquecimento tem lâminas de ambos os seus lados.
Não é a filosofia desse subsolo nortista.
Talvez seja uma quimera que declama e lê gritando para os corvos num palco vazio, essa poesia oca e cheia de segredos tão frágeis. Quando muda a estação dessa voz que entoa um verso ao contrário do sentimento?
Estamos numa ilha de esgoto e larvas, estamos numa pequena ilha de desejos tolos, o barco deveria chegar no porto antes da pestilência invadir toda a cidade.
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