Anúncio qualquer
É sobre a decadência das palavras. É sobre a fútil conclusão de cada anúncio.
Filosofia do anúncio no jornal, vender uma palavra, vender um objeto material.
Ou quiçá possa vender um pequeno verso sobre a incerteza dos dias cinzentos?
Observei o baile de nuvens e aquela Lua de sangue com um desgosto que enferrujava a saliva na língua e na garganta, observei a inútil realidade de uma vida baseada em pagar novos boletos e cartões de crédito para resistir aos dias.
A vida gera essa sensação, não é uma pequena loucura do cotidiano, a vida gera todos os tons de medo e incompreensão. Era sobre um anúncio qualquer num lugar errado na página de um jornal mofado, era sobre as mentiras e a falta de boas virtudes numa redoma de intenções cruéis.
Vejo na televisão a entrevista daquele político e continuo comendo o almoço com gosto de enganação, comer e ver TV não te faz ser mais feliz ao final da tarde, toda notícia tem um pingo de lamentação.
Ando pelas ruas e Macapá sempre parece um cenário de um filme que sonhei, acordo e vejo as mesmas caras numa tentativa inebriante de mudar as casas antigas, cortar todas as árvores e construir prédios gigantes para afagar seus egos.
Quero deitar na rede e observar nuvens para esquecer dessa vida urbana.
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