Desengano Frenético
Auto sabotar.
A palavra Auto sempre tem um desígnio vulgar. Logicamente estamos falando da realidade, falar da realidade já gera bifurcação e falácia, gostar da pequena ideia que tensiona o leitor e causa uma simples crise de riso num outro escritor.
Justificar a resposta e aguardar novas mensagens num paralelo que move essa era de enganação virtual, aquele ódio residual. A palavra residual gera um gosto no palato, ferrugem, sangue na gengiva, escovar os dentes com pressa para inebriar a raiva de pessoas indecisas.
Compulsão alimentar e novas rotinas, beber dois litros de cerveja numa roda de bar para observar a ruína da própria mente. Cerveja sempre tem aquele sabor mais doce quando a vida é sobre estágios de amargura e melancolia. Fugas de uma história de ausência e insegurança, o abandono de desejos e a garganta doendo pelo líquido gelado que desce tão doce.
Numa mesa de bar sempre tem uma vertigem nova para provar, pegar uma original de 1l de uma pessoa que não sabe vender bebidas, a surpresa do litrão congelado, puxar papo com artistas de talentos absolutamente relevantes, conhecer melhor uma personalidade marcante, entender o orixá de outro amigo e olhar a rua, muito se fala da cultura, muito se fala do registro de agir pela cultura, pouco se fala da experiência que os anos de silêncio e prática constroem na aura de um ser humano que vive da arte.
As fases de embriaguez são o pulo daquela Orla para uma nova margem, folhas novas e cadernos coloridos, coleciono livros por sentir aquele calor da criança que comprou o primeiro mangá na banca de revista da Avenida Fab. Ser uma caricatura da realidade não combina com as estações de revolução e reconstrução interna desses anos de silêncio numa casa museu de máquinas de costura e linhas de crochê.
Engano não deveria rimar com desengano.
É essa vida que corre, era uma juventude frenética e uma adolescência tão cheia de mágoas e dores, a injustiça da soberba de adultos que não falam do sentimento ou da verdade, só esse mesmo discurso que causa agonia, uma religiosidade automática, uma frase de efeito, a família normal, a família que destrói sonhos e esperanças. Um desenho da perfeição e da mentira numa parede de mármore colorido, frases e mais frases sobre a vida adulta e o esforço em ser um fantoche humano sem emoções.
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